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terça-feira, 30 de abril de 2013

XI ENCONTRO INTERNACIONAL DAS ENS - BRASÍLIA/DF - NOSSO SERVIÇO PARA E COM AS EJNS (Cláudia e Paulo Santos)



Caros irmãos equipistas, Casais, Conselheiros e Acompanhadores Espirituais, demais convidados, boa tarde.
Primeiro gostaríamos de agradecer o gentil convite da ERI para relatarmos um pouco de nossa experiência com os jovens, através das EJNS.
Em sua mensagem para a Jornada Mundial da Juventude de 2009, o Papa Bento XVI afirmou: “Os jovens de hoje estão, em muitos casos, feridos pela vida, condicionados por uma imaturidade pessoal que é frequentemente consequência de um vazio familiar, de opções educativas permissivas e libertárias, e de experiências negativas e traumáticas. Para muitos, a única saída possível é uma fuga alienante para comportamentos perigosos e violentos, para a dependência de drogas e de álcool, e para tantas outras formas de mal-estar juvenil. Contudo, inclusive naqueles que se encontram em situações penosas por ter seguido os conselhos de ‘maus mestres’, não se apaga o desejo do verdadeiro amor e da real felicidade. Por isso a urgência de uma evangelização, que ajude as novas gerações a descobrirem o autêntico rosto de Deus.”
Mais recentemente, na celebração da Missa da chegada do ano presente, o Papa destacou em sua homilia: “Diante das sombras que obscurecem o horizonte do mundo atual, assumir a responsabilidade por educar os jovens no conhecimento da verdade, nos valores fundamentais e nas virtudes é olhar para o futuro com esperança. Essas novas gerações podem se tornar construtoras da paz se forem educadas adequadamente.”, concluiu o Papa.
E nós, Cláudia e eu, tivemos a graça de confirmar essas afirmações quando aceitamos o convite para ser Casal Acompanhador de uma equipe de jovens. Pela Providencia Divina, este convite chegou até nós num momento bastante delicado de nossas vidas, conhecido popularmente como “síndrome do ninho vazio”. Foi quando nossa única filha, com dezessete anos de idade, deixou nossa casa para morar e estudar em outra cidade. Com as EJNS, Deus preencheu novamente nosso ninho, não com um único, mas agora com muitos passarinhos.
Esse Movimento de jovens é oriundo da própria ENS e teve seu início no Encontro Internacional desta em Roma, em 1976, quando a filha do casal francês ERI da época decidiu organizar, paralelamente ao encontro, uma reunião para os filhos dos casais.
A equipe com 8 a 12 jovens é acompanhada por um casal e um conselheiro, e tem como objetivo a formação espiritual e humana dos seus membros, aprendendo a conhecerem-se a si mesmos, no diálogo com os outros e na busca da santidade. Nas reuniões, seguindo a mesma dinâmica dos casais, num ambiente de escuta, partilha e oração torna-se possível discernir a vontade de Deus em suas vidas, tendo o "sim" de Maria como modelo.
Até hoje grande parte dos jovens ainda é composta por filhos de equipistas, pois os laços entre os dois Movimentos é muito grande e o apoio das ENS é de extrema importância para a sustentação do Movimento dos jovens. Com certeza, o que mantém esta união é o amor a Nossa Senhora, o desejo de colocar-se sob o seu amparo e exemplo no caminho que nos leva a Cristo, além do carinho especial oferecido pelos casais, muitos dos quais também optam por ser acompanhadores de uma equipe de base ou de Setor, como foi o nosso caso.
A grande diferença é que nas EJNS, assim como na própria juventude, tudo é bem passageiro. Em poucos anos a vida de um jovem sofre profundas transformações, em vários sentidos: ingresso na faculdade, primeiro emprego, mudança de cidade, casamento. Assim, a entrada e saída de membros nas equipes é uma constante e, embora para nós traga muita tristeza qualquer perda, temos certeza que o legado absorvido e partilhado sempre é marcante e aquela semente voltará a dar muitos frutos posteriormente.
Nós já tínhamos conhecimento da existência das EJNS através das Cartas Mensais, mas a decisão de trazê-las para Vinhedo, onde residimos, surgiu em 2003 pelo fato de nossa filha estar terminando de fazer a preparação para o Crisma e não ter uma opção de continuidade na Paróquia, após isso.
No começo foi difícil encontrar os líderes do Movimento para manifestar nosso interesse.
Entretanto, a vontade de Deus fez com que nossos caminhos se cruzassem no Encontro Nacional das ENS aqui mesmo em Brasília, onde os jovens estavam também reunidos no seu Encontro Internacional naqueles dias. Os responsáveis do nosso Setor ENS na época, Cidinha e Carlão (e posteriormente Irma e Élcio e Doracy e Chico), deram todo o apoio a essa iniciativa e nos puseram em contato com os dirigentes das EJNS. Após dois anos de tratativas, jovens de Sorocaba deslocavam-se mais de 100 km até Vinhedo para fazer nossa pilotagem mensal em finais de semana.
Dois anos mais tarde, fomos convidados a ser Casal Acompanhador da segunda equipe, Nossa Senhora Desatadora dos Nós, já que na primeira não podíamos participar, devido à presença de nossa filha.
Mas afinal, qual a missão do Casal Acompanhador?
Essa foi também a pergunta que fizemos aos jovens que vieram até nós. Em sua sinceridade, a resposta que nos deram foi semelhante à do Padre Cafarrel àqueles primeiros casais: “Também não sabemos, mas podemos aprender juntos”.
Ficamos de certa forma apreensivos e preocupados por não saber exatamente qual seria nosso papel, mas demos nosso “sim”, confiantes na missão que Deus nos mostrava. Com o tempo fomos aprendendo que nossa tarefa não era trazer conhecimento nem informação, muito menos ser responsáveis pela equipe (esta pertence aos jovens), mas somente dar nosso testemunho dos valores cristãos e da vivência do Sacramento do Matrimônio, passando nossa experiência de fé e de vida como pais e mães, da forma mais simples possível.
Por isso, sempre somos os últimos a falar a fim de favorecer a abertura e a discussão prévia.
Surpreendente é ver como eles se abrem por completo durante a partilha, confidenciando coisas que certamente não comentam com ninguém: nem pais, nem irmãos, nem amigos. Essa é a razão, inclusive, de não poder haver parentes, nem namorados na mesma equipe.
E quantas vezes eles não desabam em choro, revelando o mais íntimo do seu ser. É nessas horas que dá aquela vontade de tomá-los nos braços, acariciá-los, consolá-los, enxugar suas lágrimas. O que, invariavelmente, acaba acontecendo em certas ocasiões.
De outro lado, percebemos o quanto aprendemos com eles e como é proveitosa essa troca de testemunhos. Passamos a compreender melhor nossa própria filha e, muitas vezes seguindo seus conselhos, conseguimos estreitar bastante nosso relacionamento com ela, entendendo melhor seus anseios e suas necessidades.
Já para participar das reuniões informais, tivemos que nos readaptar. Normalmente, na nossa equipe de casais marcamos as festivas para as 20h e, no máximo à meia-noite, estamos de volta. Certamente, quem tem filho adolescente sabe que nesse horário é que as coisas estão começando a acontecer para eles.
Na primeira vez que fomos convidados para uma “informal” num barzinho, chegamos às 21h e tivemos que esperar até às 23h para o primeiro jovem aparecer. Nas “baladas”, além de vararmos a madrugada, ainda tivemos que nos adaptar às suas músicas e coreografias. Em contrapartida, porém, sentimo-nos renovados, rejuvenescidos, com grande energia, vivenciando lampejos da adolescência e às vezes esquecendo de nossa própria idade!
E como eles valorizam nossa participação, por verem que mesmo após 25 anos de casados, continuamos nos divertindo juntos, dançando, “curtindo”, namorando. Minha esposa já está até me chamando de “cara”...
Em 2009, seis anos depois daqueles primeiros contatos, ficamos muito felizes com a escolha de nossa cidade para sediar o Secretariado do Brasil e, mais ainda por sermos convidados a Casal Acompanhador Nacional.
Ainda trazemos na lembrança a emoção que sentimos quando recebemos o convite do Renato para acompanhá-lo no Secretariado. Foi algo completamente inusitado para nós, pois esse pedido ocorreu num bar-dançante em comemoração ao aniversário de um dos jovens de nossa equipe. Nós jamais imaginamos que poderíamos ser convidados daquela maneira. Porém, é assim com os jovens: irreverência, ousadia, improviso, mas muito compromisso e responsabilidade!
Emocionados pela missão que se nos apresentava, novamente demos nosso “sim”, confiando que Jesus e Maria estariam à frente, apontando-nos os caminhos e as decisões que se fizessem necessários.
Embora essa missão tenha demandado muito trabalho e “pique” para podermos acompanhar essa “moçada”, não imaginávamos que nos traria tamanha alegria e felicidade! Ao final de cada evento, de cada reunião, de cada Retiro, entre abraços e beijos, sempre pudemos sentir o carinho de todos.
Nestes dois anos em que tivemos nessa função, fomos agraciados com muitos acontecimentos importantes que nos tocaram profundamente. Sem dúvida, o mais marcante foi comemorar os 20 anos de EJNS no Brasil num grandioso Encontro Nacional em Mariápolis, com mais de 300 pessoas.
Soubemos desta incumbência um ano antes e, acostumados com planejamento antecipado e detalhado dos casais ENS fomos ficando angustiados à medida que o tempo passava e ninguém convocava nenhuma reunião. Finalmente, a dois meses do evento, quando já estávamos quase desesperados, começaram a fazer os primeiros preparativos. Essa é outra característica típica dos jovens: sua informalidade. Embora pareça que eles não estão se preocupando, muitas coisas são feitas nos bastidores e, no final, o resultado é sempre surpreendente e o Encontro Nacional foi um momento memorável!
Emocionante foi ver a apresentação do Setor Barreiros-PE. Esta cidade havia sido dizimada pela chuva torrencial no mês anterior e eles mostraram em fotos o tamanho da tragédia. Simplesmente perderam tudo. Quem ficou vivo só conseguiu salvar a roupa do corpo e alguns ainda só tinham uma única troca. De fundo colocaram a música do Raul Seixas - Tente outra vez - o que levou todos às lágrimas!
Isso foi para nós uma enorme demonstração de fé. Mesmo tendo perdido tudo há tão pouco tempo, aqueles dez jovens não desistiram de vir ao Encontro, prestar culto a Deus por suas vidas!
Na noite de sábado houve a esperada comemoração do aniversário das EJNS. Uma festa de gala.
Todos de branco representando a busca da santidade que prega o Movimento, através do exemplo de Maria. Sem bebida alcoólica, mas com muita animação e alegria, típicas dos jovens, ficou provado que é possível fazer uma grande celebração, sem precisar ficar bêbado ou apelar para as drogas.
Domingo fizemos nossa palestra usando como tema o Evangelho de Marta e Maria (Lc 10,38-42) e enfatizando que assim como esta última que escolheu a melhor parte, aqueles jovens deixaram tudo num fim de semana de férias para estarem ali reunidos, empenhados em construir o Reino de Deus.
Recentemente, em nossa comemoração de Bodas de Prata no ano passado, quanta emoção sentimos quando, ao final da Missa, nosso querido Dom Filipe (Conselheiro Espiritual do Setor), chamou ao altar nossas duas equipes: à direita a de casais e à esquerda, a de jovens. Ali pudemos sentir a força destes dois Movimentos: o primeiro do qual tanto recebemos para fortalecer nossa Espiritualidade Conjugal e o segundo ao qual pudemos modestamente dar nossa contribuição de pais cristãos. Apresentava-se ali, diante dos nossos olhos, o completo ciclo da vida!
Hoje, sentimos uma imensa satisfação em trabalhar com esses jovens, pois temos a convicção de que esse Movimento, além de mostrar um caminho seguro para nossos filhos num mundo tão materialista e carente de valores, também constrói a base para o futuro da Igreja gerando, certamente, muitas vocações matrimoniais e religiosas e mostrando-se um celeiro propício para novos casais ENS no futuro.
Reconhecemos agora, que embora Deus nos tenha dado uma única filha, Ele nos presenteou com tantos outros “filhos adotivos”, permitindo-nos sentir esta grande benção de ser Casal Acompanhador de uma EJNS! Além disso, mesmo continuando a envelhecer, sentimos nosso espírito sempre jovial.
Por tudo isso queremos agradecer primeiramente a Deus, mas também aos casais ENS em todos os níveis (especialmente Cida e Raimundo – CRSR) e a esses jovens maravilhosos com quem convivemos, e que confirmaram as palavras do Papa de que a juventude é mesmo o futuro de nossa Igreja!
Nossa mensagem final é conclamar vocês a não perderem a oportunidade de fazer essa enriquecedora experiência de assumir uma Equipe de Jovens de Nossa Senhora!
MUITO OBRIGADO!
Cláudia e Paulo Santos
ENS 5 – Nossa Senhora de Guadalupe
EJNS 2 – Nossa Senhora Desatadora dos Nós
Vinhedo – SP - Brasil

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