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quinta-feira, 16 de maio de 2013

XI ENCONTRO INTERNACIONAL DAS ENS - BRASÍLIA, DF - ENS E EJNS EM PORTUGAL - ENCRUZILHADAS DE VIDA - NÓS E AS EJNS (TESTEMUNHO PESSOAL DE ISABEL E PAULO))

Brasília, 25/07/2012, às 10:30 horas.
 
ENS e EJNS em Portugal – encruzilhadas de vida
 
Nós e as EJNS – testemunho pessoal

Somos a Isabel e o Paulo, casámos no dia 30 de Maio de 1992, temos duas filhas, a Patrícia com 18 anos e a Inês com 16 anos, nascemos ambos em Angola. Vivemos nos arredores de Lisboa. Conhecemo-nos com 14 anos no Liceu e nos escuteiros, onde permanecemos até nos casarmos.
Para além do Escutismo, em que ambos estivemos envolvidos, aos 18 anos, eu (Isabel) integrei uma Equipa de Jovens de Nossa Senhora. Esta equipa tinha como casal assistente, um casal das ENS e como pilotos, dois jovens: um deles faz hoje parte de uma ENS e outro, é consagrado. Éramos privilegiados nesta equipa que não podia deixar de dar frutos. Da nossa equipa todos os outros se casaram, um deles já está junto
do pai, e quatro deles fazem hoje parte das ENS. Éramos jovens empenhados e sonhadores, todos com uma caminhada cristã assumida, mas muito críticos em relação aos desafios da Igreja e por vezes confundidos com as opções do mundo.
Voltemos agora ao nosso percurso de casal. Um ano depois de casarmos fomos chamados para fazer parte de uma Equipa de Nossa Senhora: ficámos entusiasmados com a ideia de podermos fazer algum progresso na fé e em casal. E tudo mudou na nossa vida! Desde então não deixámos de aceitar os desafios que o Senhor nos fazia para sermos um casal mais autêntico e mais verdadeiro ao serviço do Movimento: fomos casal de ligação, responsável de sector, de região, e agora, de Supra-Região.
 
ENS e EJNS – Histórias que se cruzam

O projecto das EJNS nasce em 1970, durante o Encontro Internacional das ENS, em Roma, mas apenas em 1976 se concretiza. Por iniciativa de Christine d’Amonville, filha de Marie e Louis, um dos casais responsáveis internacionais mais emblemáticos da história das ENS, é organizado um encontro de jovens, filhos dos casais nas ENS, vindos de todo o mundo, durante o Encontro Internacional das ENS, em Roma. Assim nasceram as EJNS…
O Movimento é internacional desde o início, embora o seu carisma só a pouco e pouco se tivesse definindo. A Isabelinha e o Pedro Beltrão é um dos primeiros casais a fazer a experiência de um caminho com jovens, em Portugal, logo em 1978. Três anos depois, eram o casal assistente da minha equipa. Sem ter conhecimento na altura, este casal estava a dar os primeiros passos na história das EJNS em Portugal. Hoje, olhando para o passado ainda mais feliz fico por ter aderido a esta experiência de jovem, onde fidelidade, exigência e alegria eram palavras de ordem. São histórias que se cruzam…
Nascidas no seio das ENS, as EJNS fizeram um percurso paralelo connosco, com uma devoção muito especial a Nossa Senhora. A vida de equipa desenvolve os valores espirituais e humanos de que Maria é modelo, centrada na oração, na partilha, na reflexão do tema e do ponto de esforço. O caminho proposto pelas EJNS baseia-se na “espiritualidade de passagem”; passagem de uma fé recebida para uma fé vivida, passagem para uma fé mais sólida e madura, passagem para a descoberta de uma vocação, passagem para um assumir de compromissos com confiança. Como passagem, importa que seja consciente e segura (Carta Internacional das EJNS). AS EJNS são uma escola de vida para os jovens, como as ENS são para os casais e vice-versa. As EJNS são um meio de ajuda concreta aos jovens, para os ajudar a encontrar a sua vocação. As ENS são um instrumento de ajuda concreta aos casais, para os ajudar a viver a sua vocação de cristãos casados.
Hoje as EJNS estão presentes em 13 países (Canadá, nos Estados Unidos, Costa Rica, Brasil, Angola, Moçambique, Síria, Líbano, Itália, França, Espanha e Portugal). Em Portugal hoje são cerca de 1000 jovens distribuídos por Lisboa, Cascais, Porto e Madeira. E temos uma imensa alegria que as nossas duas filhas façam parte desse milhar de jovens que procuram nas EJNS uma resposta à sua vocação. Para nós, casal, foi praticamente intuitivo a compreensão dos pontos concretos de esforço, dado que para um de nós, nenhum deles era estranho. AS EJNS foram para nós uma escola a partir da qual temos procurado santificar o nosso matrimónio. Sem esta ligação próxima, não temos dúvidas de que teria sido mais difícil a adesão à pedagogia das ENS, para constantemente nos interrogarmos sobre a procura da verdade, do encontro e da comunhão, da vontade de Deus sobre o nosso casal. O amor não se mantém por acaso ou por um voluntarismo resignado, mas criando entre cada um de nós um projecto de vida único, que se vai construindo ao longo da vida. Para nós, a forma como a nossa vida se cruzou nas EJNS criou raízes que vemos germinar num caminho que ainda não está concluído…
 
ENS e EJNS na SR Portugal

A Carta Internacional das EJNS indica que “ têm uma ligação privilegiada com os casais das E.N.S. O seu apoio ajuda os jovens a viver o aprofundamento espiritual das E.J.N.S. É importante manter uma relação continuada entre os dois movimentos nos vários países e regiões, permitindo assim um conhecimento e ajuda mútuos”.
Em Portugal, o apoio às EJNS nasce desde a sua fundação. Começou por ser uma ajuda, partindo dos casais assistentes e de alguns sacerdotes, Conselheiros espirituais das ENS. Alargou-se depois ao apoio logístico. As ENS possuem umas instalações em Lisboa, na Avenida de Roma, onde funciona o Secretariado. Contam sempre que necessitam, com o apoio das duas funcionárias das ENS e usam parte deste espaço para arquivo (documentação, material de divulgação ou merchandising, etc).
Em 2007, o Secretariado Internacional das EJNS esteve a cargo de uma jovem portuguesa e nessa altura, a Ana e o Vasco Varela (na época casal Supra-Regional) defiram como prioridade estratégica no seu plano para a Supra-Região, o apoio às EJNS. Estabeleceram um apoio financeiro no valor de 10.000€ para ajudar a suportar o aumento de despesas inerentes à responsabilidade internacional das EJNS. Com o término dessa responsabilidade, o apoio financeiro diminuiu ligeiramente e destina-se hoje, sobretudo ao apoio na participação de jovens africanos de língua portuguesa nos encontros internacionais ou nas despesas de participação de jovens portugueses nas missões conjuntas com as ENS, a África Lusófona.
Ao escrever este texto, estamos a preparar a próxima missão conjunta a Angola, na qual participarão como jovens, a responsável nacional e o responsável pela expansão e como casais, a Maria Carla e o Carlo Volpini, nós próprios e o Padre Armindo Vaz, nosso Conselheiro Espiritual. É a primeira vez que fazemos uma acção deste tipo, mas que consideramos crucial não só orientar para os jovens na escolha sua vocação, como para lhes mostrar que o matrimónio é um caminho de santidade.
Na Supra-Região Portugal, muitas das actividades de Sector e Região das ENS contam com o apoio dos Jovens das EJNS. São exemplo as animações de celebrações Eucarísticas, os tempos de oração, o babysitting nas formações, etc. Os Encontros Nacionais das ENS, contam quase sempre com um testemunho dos Jovens e um apelo aos casais para serem assistentes das EJNS. E, melhor do que nós, só um jovem das EJNS poderia partilhar connosco, o que as ENS fazem na Supra-Região Portugal, com e pelas EJNS. E a Marta Figueiredo, responsável actual das EJNS, em Portugal, confidencia-nos: “Com o apoio das ENS conseguimos potenciar as actividades e projectos do nosso Movimento. Damos a cada vez mais jovens a oportunidade de poderem participar e experimentar a riqueza da Igreja e de uma vida partilhada com os outros. Arriscamos e ousamos chegar mais longe e expandir o Movimento por Portugal e, até mesmo, além-fronteiras. Tudo isto, através de recursos simples e de uma enorme disponibilidade, que nos permite encontrar formas mais eficientes de gerir e servir o Movimento e cada um dos equipistas. Nas ENS encontramos as nossas raízes, tanto ao nível da formação humana e de crescimento espiritual, pelo exemplo e testemunho de família e compromisso com a Igreja que representam, como também a nível organizativo e estrutural, pela forma semelhante como nos encontramos e reunimos. Cada casal é assim, um pilar fundamental na construção e evolução da sua equipa e do próprio movimento. Caminhamos e olhamos para as ENS como um horizonte que queremos um dia alcançar e também como um apoio e uma referência que todos os dias nos ensinam a viver melhor a nossa juventude, enquanto movimento da Igreja”.
 
Algumas Reflexões finais

“Cuida dele; e tudo o que gastares a mais, eu to pagarei quando voltar (lC 10, 35)”
Como cuidou o Padre Caffarel do Movimento, ao definir o seu carisma e mística, e como cuidaram os primeiros casais das ENS dos seus filhos a amigos, procurando encontrar para eles uma resposta de testemunho aos desafios a uma sã vida cristã, capaz de os ajudar no discernimento da sua vocação de adultos? Como poderemos nós hoje cuidar dos nossos casais, dos nossos filhos e dos filhos nossos amigos? Que testemunho podemos dar aos nossos filhos quando acompanhamos uma equipa de jovens? Acreditamos que o futuro da sociedade em que vivemos está nas mãos dos nossos filhos e dos seus amigos, um mundo matizado de inúmeras contradições e de contra-valores que a todos assusta. Mas existem outros matizes, que na história das ENS e das EJNS nos ajuda a valorizar esta caminhada conjunta em que pais e filhos, filhos e netos, se cruzam à procura de um mundo onde Cristo respire, onde cada um se possa sentir
amado e capaz de transpor fronteiras em prol de uma sociedade onde os valores fundamentais se cultivam, onde nos sintamos úteis e comprometidos, ousando o Evangelho, como no poema de Sophia de Mello Breyner Andresen, qua as EJNS reflectem na primeira reunião de pilotagem:
“Escuto mas não sei se o que oiço é silêncio ou Deus.
Escuto sem saber se estou ouvindo o ressoar das planícies do vazio
ou a consciência atenta que nos confins do universo me decifra e fita.
Apenas sei que caminho como quem é olhado, amado e conhecido
e por isso em cada gesto ponho solenidade e risco.”
As EJNS são um alfobre onde germinam corações livres mas comprometidos com Cristo e com a evangelização do mundo, cada um com a sua vocação. Dizia o Papa Bento XVI, nas Jornadas Mundiais da Juventude, em Madrid_ “O mundo necessita do testemunho da vossa fé; necessita, sem dúvida, de Deus. Penso que a vossa presença aqui, jovens vindos dos cinco continentes, é uma prova maravilhosa da fecundidade do mandato de Cristo à Igreja”.
O “casamento” entre as ENS e as EJNS têm-se revelado necessário e importante na história dos dois Movimentos, nascidos no mesmo berço, particularmente no que diz respeito à família. Hoje vivemos num tempo em que a pastoral familiar enfrenta complexos desafios, em particular, os que mais directamente estão relacionados com a elevada percentagem de divórcios que se regista em praticamente todo o mundo cristão
– a pastoral dos casais casados e re-casados. As EJNS podem constituir um instrumento de reflexão sobre uma pastoral dos namorados, que pode actuar a montante do divórcio e que está muitas vezes ausente nas nossas paróquias. As ENS devem continuar a apostar na missão de conduzir os jovens a manter o sentido cristão da família, pelo testemunho da vivência da vocação do amor, que, repousando sobre o próprio Deus,
aposta na alegria e na esperança de uma vida feliz e fecunda. Nesta lógica, as exortações morais aparecem não como fardos mas como meios para receber um amor que tem espaço e tempo para crescer e que, numa caminhada sólida e partilhada, dá coragem para viver o que é bom e exigente, fazendo de cada dia uma festa de encontro e comunhão. E isto não serve apenas para os filhos dos outros, mas para os nossos…
Precisamos de mais jovens comprometidos com Cristo, mas precisamos também de mais casais comprometidos com o acompanhamento de jovens! Acreditamos que a sinergia entre as ENS e EJNS é “fermento na massa”, que recentra a nossa atenção na parábola do bom samaritano “Cuida dele; e tudo o que gastares a mais, eu to pagarei quando voltar”. São inúmeras as graças que recebemos quando olhamos para o caminho e acolhemos os outros. Porque não acolher uma equipa de jovens de Nossa Senhora?
Não é sentimento, é atitude; não é emoção vazia e contemplativa, é acção que exige tempo, recursos, aproximação e envolvimento. E tudo isto podemos dar… nas encruzilhadas da vida onde várias gerações se encontram (jovens e casais) para juntos construirmos a “Civilização do Amor”, ousando o Evangelho.
Isabel e Paulo

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