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sábado, 13 de abril de 2013

XI ENCONTRO INTERNACIONAL DAS ENS - A CARTA (GENEVIÈVE E HERVÉ DE CORN)

Brasília, 22/07/2012 - 11:30 h
















Introdução: «Certo homem descia de Jerusalém para Jericó»

«Certo homem descia de Jerusalém para Jericó». É este o tema do nosso dia. Mas quem é esse homem que vai pela estrada?…
Vem da cidade celeste de Jerusalém e desce para Jericó… Caminha pela estrada, por entre todos os perigos… Cai espancado. Está ferido… Fica abandonado na estrada…

Quem é esse homem que vai pela estrada? Orígenes diz que é Adão… É a humanidade, são vocês, somos nós,… és tu, sou eu…

Quem é esse homem hoje? Que procura ele?… Os sociólogos dizem-nos que os jovens de hoje são a civilização do pequeno ecrã, ecrã do telemóvel, do MP3, com os auscultadores nos ouvidos. De certo modo, fecham-se num mundo paralelo… Estão cheios de relações mas, ao mesmo tempo, vazios de uma verdadeira comunicação. Têm uma terrível falta de ocasiões para parar, reflectir e meditar…

E os jovens que entram nas Equipas de Nossa Senhora? Que procuram eles?…
O Pe. Piat, conselheiro espiritual da Ilha Maurícia, escreve na última Carta das Equipas: «Os jovens casais têm sede de Deus e também sede de dar testemunho da Esperança que os habita». E prossegue: «Tal como uma árvore tem necessidade de mergulhar as suas raízes nas fontes de água viva, os jovens têm necessidade de mergulhar as suas raízes em Cristo e no seu Evangelho […]. A fé cristã não é um conjunto de verdades em que se deva acreditar, mas é acima de tudo uma relação pessoal com Cristo, que é a fonte do dinamismo da nossa vida. Quando entramos numa relação pessoal com Ele, Cristo revela-nos a nossa própria identidade, e nessa amizade a vida cresce e realiza-se em plenitude».

Gostamos muito do que o Pe. Piat escreve. Ele diz de outra forma o que diz o Pe. Caffarel. O Pe. Caffarel é «o Apóstolo do Encontro». Durante toda a sua vida, não teve senão um objectivo: fazer com que os homens e as mulheres tivessem esse encontro com Cristo. Diz, ele, como puderam ouvir numa entrevista à rádio: «Falar de Deus é tão difícil… é preciso fazer mais, é preciso fazer melhor… É preciso convidar os homens a ter esse encontro com Deus».

O Pe. Caffarel queria que todos nós fizéssemos a experiência desse encontro. Para nós, cristãos, o encontro com Cristo faz-nos entrar no Encontro com Deus e com os nossos irmãos. Somo seres de relação. Sem relação, morremos. É a relação que nos dá a vida. O cristão vive esta relação em primeiro lugar com o Senhor. O próprio Deus procura o homem constantemente. É Ele que toma a iniciativa do encontro. É Ele que vem ao nosso encontro no nosso caminho.

É com base neste tema do encontro que queremos falar da Carta das Equipas de Nossa Senhora. Esta Carta é o presente que o Pe. Caffarel e a sua primeira equipa nos legaram como um meio para nos ajudar a procurar Deus, a caminhar com Cristo, a encontrá-l’O e dar testemunho d’Ele. Voltaremos a cada um destes pontos: procurar Deus, encontrar Cristo, testemunhar.

1 – «Alegre-se o coração dos que procuram o Senhor»:

O Catecismo da Igreja Católica (nº 30) fala-nos dos que procuram o Senhor, começando com esta frase do salmo 105: «Alegre-se o coração dos que procuram o Senhor».

«Se o homem pode esquecer ou rejeitar Deus, Deus é que nunca deixa de chamar todo o homem que O procure, para que encontre a vida e a felicidade. Mas esta busca exige do homem todo o esforço da sua inteligência, a rectidão da sua vontade, “um coração recto”, e também o testemunho dos outros que o ensinam a procurar Deus».

Vamos ler-vos um excerto da conferência do Pe. Caffarel em Roma a 20 de Maio de 1970:

«O vosso casal dará testemunho de Deus de forma ainda mais explícita se for a união de duas “pessoas que procuram Deus”, segundo a admirável expressão dos salmos. Duas pessoas que procuram, cuja inteligência e cujo coração estão ávidos de conhecer, de encontrar Deus, de se unirem a Ele, porque compreenderam que Deus é a grande realidade, porque Deus lhes interessa mais do que tudo».

O Pe. Caffarel continua incitando os casais das Equipas a procurarem Deus. Incita-os a tornarem-se «adoradores em espírito e verdade». Este impulso de adoração deve orientar toda a sua vida ininterruptamente.

O casal cristão é uma igreja em miniatura, uma célula da Igreja, ou seja, um lugar de culto em que Jesus está presente. O Pe. Caffarel diz que a família cristã é «a morada de Deus no meio dos homens».

O casal cristão não é um gueto fechado em si mesmo ao abrigo das adversidades do mundo mas «um lugar de onde se parte para atender a todas as tarefas humanas». Estamos tentados a dizer: é o porto de matrícula a que se regressa para se reabastecer de energia, de combustível, de água e de alimento.

E o Pe. Caffarel continua: «O Deus amigo dos homens envia os seus servos em missão quando tiverem retemperado as suas forças no amor mútuo, na oração e no repouso. Assim, não é de admirar que, no meio dos homens, os esposos cristãos sejam testemunhas do Deus vivo».

(Conferência de Roma, 5 de Maio de 1970, «As Equipas de Nossa Senhora face ao ateísmo»)

2 – O «Encontro» do Pe. Caffarel

Mais do que nunca, o homem e a mulher têm necessidade de encontrar o sentido da vida interior, uma vida decididamente voltada para a procura de uma transcendência. É assim que os novos casais que entram para o Movimento esperam uma ajuda para a sua vida de casal e para a sua vida com o Senhor.

Como dissemos, a grande preocupação do Pe. Caffarel é que o homem que vai de Jerusalém para Jericó tenha a oportunidade de encontrar Jesus no seu caminho (ver imagem). O seu desejo mais profundo é que o homem e a mulher façam a experiência do Encontro com o Senhor, um Senhor que os ama, que os ajuda a descobrir o amor e que os acompanha no seu caminho.

Ouvimos o seu testemunho: «Fiquei a saber que amava e que era amado. Entre Ele e eu, era para toda a vida!». Depois do seu encontro com o Senhor, o Pe. Caffarel queria ser monge: «Toda a minha vida, dizia, tive a nostalgia do mosteiro». É importante saber isto, porque explica muitas coisas na intuição criadora e na pedagogia das Equipas de Nossa Senhora.

A primeira equipa que se reuniu com o Pe. Caffarel era formada por 4 casais. Juntos, procuraram descobrir como viver plenamente o sacramento do matrimónio. A pequena semente deitada à terra começou a germinar… Esta primeira experiência gerou um enorme entusiasmo. Muito rapidamente, a exemplo dessa primeira equipa, outras equipas se multiplicaram.

Foi então que uma preocupação se apoderou do Pe. Caffarel: essas equipas não correriam o risco de se tornarem «creches de adultos bem pensantes» onde se partilhariam grandes ideias sem um verdadeiro envolvimento de cada um? Era necessário dar-lhes um enquadramento, uma regra de funcionamento «para que não perdessem o entusiasmo».

À imagem dos monges, à imagem das ordens religiosas que perduram desde há séculos, decide dar ao Movimento uma regra, certamente não uma regra monástica mas uma Carta que define o espírito, a vocação, a pedagogia do Movimento. Esta Carta, esta regra do Movimento, não tinha senão um objectivo: «ajudar os casais a caminhar para a santidade graças ao seu sacramento do matrimónio» a fim de darem à Igreja e ao mundo casais consolidados na sua fé.

O Pe. Caffarel falava assim da Carta em 1947:

«Esta Carta corresponde ao desejo de numerosos grupos, expresso muitas vezes nestes últimos anos, de uma direcção firme, de orientações precisas e de um enquadramento forte».

Dizia também:

«A única intuição verdadeira, a que corresponde à finalidade das Equipas, é a vontade de conhecerem melhor Cristo, de O amarem melhor e de O servirem melhor. Entra-se para as Equipas por Deus, e fica-se nelas por Deus».

A Carta provoca o nosso desejo de ir mais longe no nosso amor a Deus e no nosso amor de um ao outro. A equipa é fonte de entreajuda, de força, de dinamismo, para ir ao encontro de Deus e para fazer desabrochar o amor que existe no nosso casal.

3 – «Decidiram formar equipa» para servir o mundo

Nous vous proposons de relire le début de la Charte :
Propomo-vos reler o início da Carta:

Ambicionam levar até ao fim os compromissos do seu baptismo.
Querem viver para Cristo, com Cristo e por Cristo.
Entregam-se a Ele sem condições.
Entendem dever servi-l’O sem discutir.
Reconhecem-n’O como Senhor e Chefe do seu lar.
Fazem do Evangelho a Carta da sua família.
Querem que o seu amor, santificado pelo sacramento do matrimónio, seja:
 um louvor a Deus,
 um testemunho aos homens, provando-lhes, com toda a evidência, que Cristo salvou o amor,
 uma reparação pelos pecados contra o matrimónio.
Entendem dever ser, em toda a parte, os missionários de Cristo.
Dedicados à Igreja, querem estar sempre prontos a responder aos apelos do seu bispo e dos seus padres.
Querem ser competentes na sua profissão.
Querem fazer de todas as suas actividades uma colaboração com a obra de Deus e um serviço prestado aos homens.

Porque conhecem a sua fraqueza e os limites das suas forças, que não da sua boa vontade,
porque sentem cada dia como é difícil viver como cristãos num mundo pagão e porque têm fé indefectível no poder da ajuda fraterna,

Decidiram formar equipa.

Vemos como o Pe. Caffarel quer que os casais cristãos vivam em união total com Cristo, se tornem verdadeiros discípulos no seguimento de Cristo, para irem dar testemunho no mundo. Quer que «os casais cristãos se dêem um ao outro para se darem juntos».
Quer dar-lhes um meio para resistirem, para que não se deixem arrastar nas correntes do mundo. Para lhes dar os meios para resistirem, instituiu a Carta:

«Não é fácil ser-se santo em pleno mundo. Aceitar tomar responsabilidades, estar presente em todo o lado na Cidade: desde há alguns anos, cada vez mais cristãos o têm feito. Mas quantos aí perderam o seu entusiasmo e a pureza do cristianismo da sua juventude… O seu coração não era suficientemente enérgico, incorruptível. Não nos podemos atirar à água para salvar um mundo que está a naufragar sem nos termos assegurado dos meios para resistir ao turbilhão» (Anneau d’Or nº 30, Novembro-Dezembro de 1949)

É então que o Pe. Caffarel faz a seguinte pergunta: «Como formar essas testemunhas de Cristo?». Os casais têm necessidade de se alimentar regularmente na vida fraterna de uma equipa, na Palavra, na Oração, na meditação.
A Carta é o nosso ponto de apoio para o nosso matrimónio. É um ponto de apoio para durar. Responde às nossas aspirações profundas na nossa necessidade de amor, de felicidade e de santidade para servir melhor a Igreja e o mundo.

Conclusão: «Faz tu também o mesmo»

Para terminar, voltamos ao texto do Bom Samaritano. Depois do encontro na estrada, depois da cura, Jesus diz: «Vai e faz tu também o mesmo».

O Pe. Caffarel continua assim na sua conferência de Roma:

«Queria ter-vos comunicado a minha convicção de que um casal que procura Deus é no nosso mundo que já não acredita em Deus, que já não acredita no amor, uma teofania, uma manifestação de Deus como foi para Moisés aquela sarça do deserto que ardia e não se consumia.

Que se a vossa vida de casal, se o vosso amor dá testemunho do Deus de amor, então, mas só então, deveis e podeis dar o testemunho da palavra, que será confirmada pela vossa vida.


As Equipas de Nossa Senhora são um Movimento de espiritualidade em que os esposos que o constituem no século do ateísmo entendem dever tomar consciência da presença activa de Deus em primeiro lugar neles próprios e depois no seu casal, para que a sua vida, a exemplo de Cristo, manifeste Deus e as suas perfeições. Ou, melhor ainda, permita que Deus Se diga e Se dê.
(Conferência de Roma, 5 de Maio de 1970, «As Equipas de Nossa Senhora face ao ateísmo»)

A Carta é, de facto, o presente precioso dado aos casais para «ousarem o Evangelho» «Casais, imersos no Amor de Cristo, partamos para o mundo para tomar conta dos homens».

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