A ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA POR DOM ORANI TEMPRESTA - ARCEBISPO DO RIO DE JANEIRO (DINÂMICA DA EQUIPE 12 - AGOSTO DE 2013)
Evangelho (Lc 1,39-56)
"Naqueles dias, 39Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judeia.
40Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel.
41Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu
ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. 42Com grande grito,
exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu
ventre! 43Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar?
44Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de
alegria no meu ventre. 45Bem-aventurada aquela que acreditou, porque
será cumprido o que o Senhor lhe prometeu”.
46Então Maria disse: “A
minha alma engrandece o Senhor, 47e o meu espírito se alegra em Deus,
meu Salvador, 48porque olhou para a humildade de sua serva. Doravante
todas as gerações me chamarão bem-aventurada, 49porque o Todo-poderoso
fez grandes coisas em meu favor. O seu nome é santo, 50e sua
misericórdia se estende, de geração em geração, a todos os que o
respeitam.
51Ele mostrou a força de seu braço: dispersou os soberbos
de coração. 52Derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes.
53Encheu de bens os famintos, e despediu os ricos de mãos vazias.
54Socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia,
55conforme prometera aos nossos pais, em favor de Abraão e de sua
descendência, para sempre”.
56Maria ficou três meses com Isabel; depois voltou para casa."
Assunção de Nossa Senhora
“No final de sua vida, no que a tradição chama de “dormição” de Nossa
Senhora, contemplamos o dogma que é celebrado neste final de semana: a
Assunção de Maria. Ela foi levada ao céu após a sua peregrinação
terrestre, onde levou a vida acolhendo a vontade do Pai, dizendo “sim” a
Deus, mas também entre cuidados, angústias e sofrimentos. Por isso,
segundo a profecia do santo velho Simeão, uma espada de dor lhe
traspassou o coração, junto da cruz do seu divino Filho e nosso
Redentor. Com a Assunção, se crê que o seu sagrado corpo não sofreu a
corrupção do sepulcro, nem foi reduzido à cinzas aquele tabernáculo do
Verbo Divino. Pelo contrário, os fiéis iluminados pela graça e abrasados
de amor para com aquela que é Mãe de Deus e nossa Mãe dulcíssima,
compreenderam, cada vez com maior clareza, a maravilhosa harmonia
existente entre os privilégios concedidos por Deus àquela que o mesmo
Deus quis associar ao nosso Redentor. Esses privilégios elevaram-na a
uma altura tão grande que não foi atingida por nenhum ser criado,
excetuada somente a natureza humana de Cristo.
São João
Damasceno, que entre todos se distingue como pregoeiro dessa grande
tradição – que por motivações pastorais no Brasil é transferida para o
primeiro domingo após o dia 15 de agosto –, ao comparar a assunção
gloriosa da Mãe de Deus com as suas outras prerrogativas e privilégios,
exclama com veemente eloquência: "Convinha que aquela que no parto
manteve ilibada virgindade, conservasse o corpo incorrupto mesmo depois
da morte. Convinha que aquela que trouxe no seio o Criador encarnado,
habitasse entre os divinos tabernáculos. Convinha que morasse no tálamo
celestial aquela que o Eterno Pai desposara. Convinha que aquela que viu
o seu Filho na cruz, com o coração traspassado por uma espada de dor,
de que tinha sido imune no parto, contemplasse assentada à direita do
Pai. Convinha que a Mãe de Deus possuísse o que era do Filho, e que
fosse venerada por todas as criaturas como Mãe e Serva do mesmo Deus".
O Catecismo da Igreja Católica explica que "a Assunção da Santíssima
Virgem constitui uma participação singular na Ressurreição do seu Filho,
e uma antecipação da Ressurreição dos demais cristãos" (966).
A Assunção de Maria ocorre imediatamente depois de terminar a sua vida
mortal e não pode ser situada no fim dos tempos, como sucederá com todos
os homens, mas tem de considerar-se como um evento que já ocorreu.
Ensina que a Virgem, ao terminar a sua vida nesse mundo, foi elevada ao
céu em corpo e alma, com todas as qualidades e dons próprios da alma dos
bem-aventurados, e com todas as qualidades e dotes próprios dos corpos
gloriosos. Trata-se, pois, da glorificação de Maria, na sua alma e no
seu corpo, quer a incorruptibilidade e a imortalidade lhe tenham sido
concedidas sem morte prévia, quer depois da morte, mediante a
ressurreição.
O dogma da Assunção nos dá uma certeza: Maria
Santíssima já alcançou a realização final. Tornou-se, assim, um sinal
para a Igreja que, olhando para ela, crê com renovada convicção nos
cumprimentos das promessas de Deus. Também nós somos chamados a estar,
um dia, com a Santíssima Trindade. Olhando para o que Deus já realizou
em Maria, os cristãos animam-se a lutar contra o pecado e a construir um
mundo justo e solidário para participar, um dia, do Reino definitivo.
Uma mulher já participa da glória que está reservada à humanidade.
Nasce, para nós, um desafio: lutar em favor das mulheres que,
humilhadas, não têm podido deixar transparecer sua grande vocação. Em
Maria, a dignidade da mulher é reconhecida pelo Criador. Quanto nosso
mundo precisa caminhar e progredir para chegar a esse mesmo
reconhecimento!
A Solenidade da Assunção de Nossa Senhora
demonstra a delicadeza de Deus em preservar a Virgem Santíssima da
corrupção do pecado original – seu corpo é elevado ao céu! Daí vem a
dignidade do corpo humano, da vida humana. É para o cristão também um
olhar para o seu destino final.
Neste tempo de tantas mudanças é
importante que nos elevemos com Maria. Infelizmente, uma lei aprovada
procurando coibir com toda a justiça a violência contra a mulher trouxe
consigo outra grande violência: contra a vida. Nesse sentido, ao olhar
para a Assunção de Maria nós pedimos a Deus que nos faça testemunhas do
Ressuscitado em meio a tantos e complexos problemas que aparecem a cada
momento. Urge nunca perder de vista a direção e fazer de tudo para que
hoje, escutando a voz do Senhor, caminhemos procurando fazer Sua
vontade.”
† Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ
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